Literatura


YIN E YANG

junho de 2018

Edição: 20


Devo reconhecer que, muito a contragosto, minha viagem começa em Macau, ainda que até hoje meus familiares jurem de pés juntos que nunca estive lá. Mas quem jura costuma mentir, e há evidências suficientes que provam o contrário.

O ACERVO DAS COISAS PRESCINDÍVEIS

junho de 2018

Edição: 20


Mudei-me para este apartamento há mais de dois anos, após uma separação. Estava enfim sozinha, morava sozinha, dormia sozinha, fazia refeições sozinha. Nunca havia sido assim. E era bom e ruim.

Cinco poemas de Paul-Jean Toulet

junho de 2018

Edição: 20


Abril, cujo odor nos augura
Renovado prazer,
Tu descobres no meu querer
A secreta figura.

Ah, pagar a murta ao Mirtilo,
A íris à Desdêmona:
Para mim duma rósea anêmona
Se abre o negro pistilo

O EFEITO SALENKO

junho de 2018

Edição: 20


Na primeira Copa que vi, a dos EUA, em 1994, quando eu tinha oito anos, só competiam vinte e quatro times. O Brasil estava no grupo B, junto com Rússia, Camarões e Suécia. Os artilheiros foram Stoichkov, da Bulgária, e Oleg Salenko, da Rússia com 6 gols cada. Salenko jogou vinte minutos contra o Brasil...

Preciso escrever sobre Gerald Murnane

junho de 2018

Edição: 20


Sendo “Preciso escrever?” a primeira linha de Barley Patch (2009), livro do australiano Gerald Murnane (1939) depois de toda uma década sem escrever ficção. “Preciso escrever?” precisando também ser o primeiro questionamento deste escrito que aqui se encontra.

OS SEM-BOCA

março de 2018

Edição: 19


Os dois foram recolhidos um ao lado do outro, sobre a grama queimada. Suas roupas haviam voado em farrapos. A conflagração da pólvora havia apagado a cor dos números; as placas de níquel estavam esmigalhadas.

A ÁGUIA RASPANDO O BICO

março de 2018

Edição: 19


Existem duas crenças adquiridas por minha esposa sobre mim que ao longo dos anos se tornaram verdades inquestionáveis, ainda que sejam mentiras sem qualquer fundamento.

O COVEIRO DE TUDO

março de 2018

Edição: 19


Ainda que não por ofício, somos todos historiadores. No pior dos casos, somos os historiadores das nossas próprias vidas lidando com documentação.

Quatro esboços para Angola Janga

março de 2018

Edição: 19


A narrativa consegue ultrapassar o meramente descritivo e torna-se dramática em seus cortes. No entanto, o efeito mais impressionante é alcançado quando temos diante de nós um personagem de costas em primeiro plano e ele está a poucos passos de mudar o rumo da trama.

linguagem & resistência

março de 2018

Edição: 19


convidado para uma roda de conversa; imediatamente pensei q ñ deveria;; preparar uma fala sistematizada; apoiada em slides q remetessem; às minhas ações performativas; aos meus livros de poesia

A DECLARAR NADA

setembro de 2017

Edição: 16


Segundo os anais da estilística, durante suas aulas de latim, o filósofo Erasmo demonstrava diversos modos de escrever a frase “sua carta me agradou bastante”. Podemos usar palavras do cotidiano (“gostei muito de sua carta”), litotes (“não me desagradou”), exagero (“a melhor coisa do mundo”), erudição (“vossa epístola muito me comprouve”), entre incontáveis maneiras.

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