Literatura


As sete mil agonias do gato Tô

abril de 2021

Edição: 22


A agonia é uma vivência íntima da infância, bastando que não encaremos com olhos de pais cada um desses espécimes infantis. Pois os bebês estão agonizando a todo momento, e isso mesmo ou principalmente quando estão sorrindo.

CARVÃO COR DE SANGUE

abril de 2021

Edição: 22


Para começar, o sujeito só precisa de esperança quando tá mergulhado na desgraça. E se ele precisa de esperança, o que tem de bom nisso?

ÚLTIMAS HORAS

março de 2021

Edição: 22


o homem caminhou pelo corredor do hospital, rumo à saída. entrou no vectra ainda com a sensação de que carregava Sim, no corpo
uma doença silenciosa e secreta que era a própria Vida.

LUZA

março de 2021

Edição: 22


 A espera no táxi, o trânsito sem fim, o encontro… Luza empresta o ambiente de “Luzia Luluza”, cantada por Gilberto Gil, mas ao contrário da letra dos anos 60, a…

E tu serás um ermo novamente

março de 2021

Edição: 22


É fácil estender meus dedos tortos:
na Eternidade, estamos todos mortos.

UM OSSO DE MORTO

fevereiro de 2021

Edição: 22


Caminhei por um trecho sem saber aonde ir: um instinto mais poderoso que a vontade me distanciava de minha morada. Onde buscar coragem para prosseguir? Eu receberia naquela noite a visita de um espectro e esta era uma ideia mortificadora, uma perspectiva aterrorizante.

Amargosa

fevereiro de 2021

Edição: 22


Mas que raio de cabeças tinham essas pessoas para batizarem o local com tal nome? Será que a carne amarga das pombas era mesmo gostosa? Ora, ora, nome é coisa importante, nome é algo que se materializa nas identidades dos lugares, nome é força simbólica.

Galáxia inexplorada – (brevíssimo mapa de cintilações na poesia contemporânea brasileira)

fevereiro de 2021

Edição: 22


Não sou um crítico buscando ser histórico: sou um poeta oferecendo sua apreciação; ou seja, completude, também pelo espaço, é impossível. Não obstante, diante do negacionismo crítico que decreta sobre a poesia que está “tudo parado, nada acontece”, repito Galileu e digo eppur si muove.

kkk

outubro de 2020

Edição: 21


Todo cidadão do nosso país não somente maldiz o presidente e a família presidencial mas, secretamente, também fantasia a morte deles todos, é tudo o que digo a meu amigo, por mais abalados que digam ficar quando alguém confessa essa fantasiação.

A permanência dos pássaros

agosto de 2020

Edição: 21


É impossível passar incólume à leitura ao revés que Morrison faz do mito da torre de babel, quando ela diz que nunca estaríamos prontos para ascender ao paraíso com uma única língua, ou seja, sem a diferença, sem conhecer o Outro, sem viver a dissemelhança, a diversidade, a heterogeneidade, e que talvez o paraíso se encontre justamente aí.

LAVRENTIVS MEDICES – a poesia do senhor de Florença

julho de 2020

Edição: 21


Os poemas de Lorenzo seguem o princípio de que a Beleza perpassa simpaticamente seres e coisas, impregnando as almas de uns nas dos outros. Esteve também em contato com as melhores mentes de sua época, e a maior parte delas foi ele mesmo quem patrocinou.

CINCO DIÁLOGOS COTIDIANOS DE UMA DRAMATURGIA EM PANDEMIA

julho de 2020

Edição: 21


PAULO. Não, veja bem, não mudou muito. Eu achei estranho o povo não aparecer dando comida, mas fora isso… Tô achando tudo igual… (pausa, gracejando) Esse povo de máscara achei que fosse alguma alucinação, sei lá, da fome!

Penugem, pedra

julho de 2020

Edição: 21


Não estava acostumada com um andando e o outro falando. Meus homens. Era estranho. De repente, como se pressentisse algo, eu não me sentia mais tão feliz.

O Londrino

julho de 2020

Edição: 21


Nasci, como ouviste, na multidão. Isso gerou em mim uma completa afeição por esse modo de vida, somado a uma aversão quase intransponível à solidão e às cenas rurais.

Nuvens

junho de 2020

Edição: 21


O pensamento, matéria coletiva e, por isso mesmo, diversa, faz com que as nuvens tenham diferentes colorações de acordo com os elementos que as formam.

Perfumado Feminismo

junho de 2020

Edição: 21


Este perfumado feminismo deixa feias manchas em uma causa que necessita de um sóbrio valor moral para se impor. 

Fiz a coisa errada ou The King of Poop

março de 2020

Edição: 21


Dois jovens de Salvador seguem o rastro do Rei do pop para ver de perto as gravações do videoclipe "They don't care about us".

Multiversos

março de 2020

Edição: 21


Foi a primeira vez em que me dei conta de que não saberia mais onde ele estava. E me lembrei daquela manhã em que eu lia um artigo que falava da teoria dos multiversos.

O anjo caído

março de 2020

Edição: 21


Um anjo tropeça nas nuvens, cai na terra e é carregado por uma criança.

A Jeanine de Picard: do relato ao traço

março de 2020

Edição: 21


Pelos mistérios da fé da ficção, é a realidade que não importa. Não importa se as histórias que Jeanine diz ter vivido são verdadeiras ou não.

YIN E YANG

junho de 2018

Edição: 20


Devo reconhecer que, muito a contragosto, minha viagem começa em Macau, ainda que até hoje meus familiares jurem de pés juntos que nunca estive lá. Mas quem jura costuma mentir, e há evidências suficientes que provam o contrário.

O ACERVO DAS COISAS PRESCINDÍVEIS

junho de 2018

Edição: 20


Mudei-me para este apartamento há mais de dois anos, após uma separação. Estava enfim sozinha, morava sozinha, dormia sozinha, fazia refeições sozinha. Nunca havia sido assim. E era bom e ruim.

Cinco poemas de Paul-Jean Toulet

junho de 2018

Edição: 20


Abril, cujo odor nos augura
Renovado prazer,
Tu descobres no meu querer
A secreta figura.

Ah, pagar a murta ao Mirtilo,
A íris à Desdêmona:
Para mim duma rósea anêmona
Se abre o negro pistilo

O EFEITO SALENKO

junho de 2018

Edição: 20


Na primeira Copa que vi, a dos EUA, em 1994, quando eu tinha oito anos, só competiam vinte e quatro times. O Brasil estava no grupo B, junto com Rússia, Camarões e Suécia. Os artilheiros foram Stoichkov, da Bulgária, e Oleg Salenko, da Rússia com 6 gols cada. Salenko jogou vinte minutos contra o Brasil...

Preciso escrever sobre Gerald Murnane

junho de 2018

Edição: 20


Sendo “Preciso escrever?” a primeira linha de Barley Patch (2009), livro do australiano Gerald Murnane (1939) depois de toda uma década sem escrever ficção. “Preciso escrever?” precisando também ser o primeiro questionamento deste escrito que aqui se encontra.

OS SEM-BOCA

março de 2018

Edição: 19


Os dois foram recolhidos um ao lado do outro, sobre a grama queimada. Suas roupas haviam voado em farrapos. A conflagração da pólvora havia apagado a cor dos números; as placas de níquel estavam esmigalhadas.

A ÁGUIA RASPANDO O BICO

março de 2018

Edição: 19


Existem duas crenças adquiridas por minha esposa sobre mim que ao longo dos anos se tornaram verdades inquestionáveis, ainda que sejam mentiras sem qualquer fundamento.

O COVEIRO DE TUDO

março de 2018

Edição: 19


Ainda que não por ofício, somos todos historiadores. No pior dos casos, somos os historiadores das nossas próprias vidas lidando com documentação.

Quatro esboços para Angola Janga

março de 2018

Edição: 19


A narrativa consegue ultrapassar o meramente descritivo e torna-se dramática em seus cortes. No entanto, o efeito mais impressionante é alcançado quando temos diante de nós um personagem de costas em primeiro plano e ele está a poucos passos de mudar o rumo da trama.

linguagem & resistência

março de 2018

Edição: 19


convidado para uma roda de conversa; imediatamente pensei q ñ deveria;; preparar uma fala sistematizada; apoiada em slides q remetessem; às minhas ações performativas; aos meus livros de poesia

A DECLARAR NADA

setembro de 2017

Edição: 16


Segundo os anais da estilística, durante suas aulas de latim, o filósofo Erasmo demonstrava diversos modos de escrever a frase “sua carta me agradou bastante”. Podemos usar palavras do cotidiano (“gostei muito de sua carta”), litotes (“não me desagradou”), exagero (“a melhor coisa do mundo”), erudição (“vossa epístola muito me comprouve”), entre incontáveis maneiras.

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