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Monstra - coreografia/colagem - Fotografia: Debby Gram
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GALERIA

Março de 2018

Edição: 19

Olhos brotam de samambaias que são regadas por vermelhos espalhados por bocas que gritam um grito eterno tropical.

Um mundo em permanente estado de devir.

Um mundo que se constrói e colapsa ao mesmo tempo.

Uma espécie de criatura que é espaço. Microcosmos, já nem tão micro assim.

Começou no papel e ganhou outros meios de transporte.

O corpo, as construções.

 

(Paro de escrever, as imagens de Manuela vão passando pela minha memória como um desfile. Fico em silêncio, desfrutando)

 

Lembro que comíamos cuscuz e tomávamos café na kitnet onde eu morava na Santa Cecília, em São Paulo, uns bons anos atrás, quando nos conhecemos e decidimos ser amigas. Um cuscuz amarelo como a luz amarela incandescente daquele apê minúsculo onde cabia tanto desejo. Amarela era nossa esperança em fazer nossa arte viver.

 

Vejo os amarelos de Manuela e sinto essa luz que sempre permeou o que conheço dela. Crença. Crença com alegria. No que permanentemente se transforma sem deixar de ser-se.

 

Agora é um instante.

 

Agora já é outro.

 

A colagem mudou e eu não me lembro mais como eu era antes disso.

Devir, col(r)agem.


Vânia Medeiros é artista visual.

2018 | Revista Barril - ISSN 2526-8872 - Todos os direitos reservados.